Atualizado em 14 de março de 2024.

Pode parecer clichê, mas como gostamos muito de ressaltar, nunca é tarde para fazermos mudanças positivas em nossas vidas. Cuidar da saúde não tem prazo de validade e não deve ser vista como benéfica apenas aos mais jovens, os idosos se beneficiam muito e mudanças de hábito podem causar uma verdadeira revolução na qualidade de vida dos mais idosos.

O protagonismo do idoso e a importância da conversa

Sempre ressaltamos a importância de reconhecermos o protagonismo do idoso. Quando falamos em tomada de decisões que alteram a rotina do idoso, a participação e a conversa são essenciais para que a importância das mudanças sejam internalizadas.

Afinal de contas, ninguém gosta de ser obrigado a fazer algo, principalmente na terceira idade, quando já passamos toda uma vida com muitas obrigações e responsabilidades. A fase é comumente percebida como um momento mais relaxado, então mudanças, principalmente as que visam a saúde, devem ser muito bem conversadas e explicadas.

Quando as mudanças de rotina devem ser implementadas?

A resposta curta é: o mais rápido possível. Quanto antes investirmos em hábitos mais saudáveis, mais rápido colheremos os frutos. Mas a realidade é diferente e no caso dos idosos, existe um melhor momento para começar.

Ano novo, vida nova?

O início de um ano é um momento especial para mudanças, além das famosas resoluções de ano novo, a época traz uma peculiaridade: já é um momento mais agitado por natureza e por isso, ótimo para o idoso não retornar aos hábitos danosos à saúde.

Com as festas de final de ano, visita de filhos e netos, casa cheia e viagem, o momento é “de ouro” para, ao terminar as festas, começar uma dieta saudável ou incorporar uma rotina de exercícios para o corpo e a mente.

Outro bom momento são as férias de meio de ano, pela mesma razão de ser uma época mais agitada em que o idoso já encontra-se fora da rotina a qual está acostumado.

Datas especiais são bons momentos!

Somos seres ritualísticos e damos importância a ritos de passagem e simbologias. Por isso, períodos como aniversários, dia do casamento ou de grandes mudanças na vida podem ser bons momentos para iniciar grandes mudanças.

Momentos difíceis podem impulsionar mudanças

Fases difíceis podem ser bons catalisadores para mudanças positivas. Apesar de muitas vezes traumáticos, são momentos de reflexão, que podem alterar a visão e a percepção que temos sobre a nossa situação.

Isso é especialmente verdade em internações e idas ao médico decorrentes de maus hábitos. Por exemplo, uma internação de uma crise de enfisema pulmonar, pode ser o momento ideal para parar de fumar. Aquele resultado ruim dos exames de controle de diabetes, pode ser a “gota d’água” que faltava para uma alimentação mais saudável.

Com qual rapidez as mudanças devem ser implementadas?

Essa é uma pergunta de resposta muito pessoal, algumas pessoas respondem melhor a mudanças radicais, outras a alterações mais lentas e transitórias.

Fundamental é definir metas alcançáveis e realistas. Uma rotina ideal de exercícios para um idosos não será alcançada do dia para a noite, ela é resultado de uma adaptação física que deve ser feita com calma.

Mudanças alimentares devem ser feitas no dia a dia e incorporadas à rotina. Isso não quer dizer que no final de semana, com permissão médica, aquele sorvete de chocolate não poderá ser aproveitado. A palavra chave é equilíbrio, dentro dos limites de cada um.

Já quando lidamos com vícios como o álcool e o cigarro, o consenso médico é de que não se para de fumar, fumando, ou de beber, bebendo. Lidar com vícios é uma questão delicada que exige, muitas vezes, a ação de diversos profissionais de saúde.

Mudar é preciso! A constante humana

Não existe um momento universalmente “certo” para iniciar uma grande mudança, mas sim sinais e oportunidades que surgem ao longo da vida. A chave está em reconhecer esses momentos, confiar em nossa intuição e aproveitar a força interna para embarcar na jornada de transformação.

Lembre-se, cada dia é uma nova chance de recomeçar e criar o futuro que você deseja e merece.

 

Atualizado em 20 de fevereiro de 2024.

Multifacetada e muitas vezes de difícil diagnóstico e tratamento, a dor crônica é extremamente desafiadora para as pessoas que sofrem com essa condição. O desafio é também compartilhado com os profissionais da saúde, que além de tratar a dor física, devem estar muito atentos aos aspectos psicológicos associados a meses, anos e até mesmo de uma vida de convívio com a dor.O que é a dor crônica? Diferente da dor aguda, que tem causas bem definidas para ocorrer, como um osso quebrado, um órgão inflamado ou um dente com cárie, a dor crônica apresenta-se muito mais complexa. É estimado que cerca de 30% da população mundial é afetada pela condição.

Em uma explicação direta e simples, a dor crônica é uma dor persistente ou recorrente com duração superior a 3 meses.

Foco de intenso estudo, a dor crônica passou por uma vasta revisão por parte da Organização Mundial de Saúde em 2022. A revisão aconteceu para melhor refletir a realidade dos pacientes e mesmo assim, algumas condições como a fibromialgia, desafiam a classificação atual.

Abaixo a classificação da dor crônica de acordo com a revisão de 2022 da Classificação Institucional de Doenças (CID-11). A grande inovação é a possibilidade da dor ter múltiplos parentescos, sendo classificada em mais de um tipo ao mesmo tempo.

Dor primária crônica

Dor em 1 ou mais regiões do corpo que é recorrente ou persistente por mais de 3 meses. A dor causa sofrimento emocional significativo e interfere nas atividades cotidianas e na vida social. É uma classificação nova que abrange condições onde não pode ser definido um motivo causal como justificativa.

Nesta classificação estão a fibromialgia, dor nas costas não identificadas como musculoesqueléticas ou neuropáticas, síndrome do intestino irritável e dor generalizada crônica.

Dor crônica do câncer

Outra nova classificação na CID-11 é a dor oncológica, que inclui a dor causada pelo tumor e metástases e, também, a dor proveniente do tratamento, como quimioterapia e radioterapia.

Dor neuropática crônica

É a dor proveniente de uma lesão ou doença do sistema nervoso causadas, como por exemplo um AVC, um traumatismo nervoso ou neuropatia diabética. Compressões da medula espinhal estão nesta categoria.

Dor pós-cirúrgica e pós-traumática crônica

É a dor que persiste mesmo após o tempo de cicatrização normal após uma cirurgia. É uma definição que ocorre por exclusão, tendo-se em mente que outras fontes de dor foram excluídas. É uma dor crônica causada pelo processo cirúrgico.

Dor de cabeça crônica e dor orofacial

São as terríveis dores de cabeça, face, pescoço, boca ou mandíbula. São divididas em 2 grupos. Idiopáticas, quando são a doença em si e sintomáticas, quando são reflexo de outra condição.

Dor visceral crônica

Dor originada nos órgãos internos da cabeça, cavidade torácica, abdominal ou pélvica.

Dor musculoesquelética crônica

Aqui ficam as dores causadas por doenças nos ossos, articulações, músculos, tendões, ligamentos, bursas ou uma combinação destes.

Não é o nosso intuito entrar em detalhes sobre os diversos tipos de dores crônicas. A ideia até aqui é mostrar que a dor é algo que está em estudo pela comunidade científica, que tenta desvendar seus mistérios.

Nosso intuito é mais humano e menos técnico.

Os desafios da Fibromialgia

De acordo com a Sociedade Brasileira de Estudos para a Dor (SBED), em estudo realizado em 2022, cerca de 3% da população brasileira sofre com a condição, muitas vezes incapacitante, que causa dor generalizada pelo corpo.

Considerada uma doença invisível, a Fibromialgia apresenta-se desafiadora e multifacetada. Começando pelo diagnóstico unicamente clínico, passando por estigmas sociais que rotulam a doença como meramente psicológica, a condição leva o conhecimento científico ao limite e suas causas ainda precisam ser elucidadas.

Além da dor musculoesquelética, a Fibromialgia geralmente é acompanhada de falta de sono, cansaço, distúrbios do humor, geralmente associada à ansiedade e a depressão.

Os aspectos da dor crônica

Só entende quem convive. Isso é uma máxima sobre a dor crônica. Apesar de pessoas de todas as idades estarem suscetíveis, as mulheres com mais de 65 estão mais propensas.

Antes de tudo é importante ressaltar que cada pessoa interpreta e experimenta a dor de maneira individual. Mesmo entre pessoas diagnosticadas com a mesma condição, a descrição de como é a dor varia bastante.

Apesar das incertezas sobre a dor crônica, os estudos mais recentes apontam para uma condição biopsicossocial. Isto é, tem suas causas e evolução em aspectos biológicos, psicológicos e sociais e assim sendo, devem ser abordadas de uma maneira integral e não unicamente especializada.

Mente sã, corpo são?

É importante salientar que dizer que a dor crônica tem aspectos emocionais e sociais não invalida os aspectos biológicos. Muito pelo contrário, toda dor é real e a abordagem integral é o atestado de que a ciência vê a dor crônica como algo que vai além das evidências biológicas.

A saúde mental é uma construção que tem impactos reais sobre a nossa saúde física. Cada vez mais os estudos mostram que há uma forte ligação entre a saúde mental e a percepção da dor.

“Atacando” as fontes da dor ao mesmo tempo

Cerca de 85% das pessoas com dor crônica desenvolvem um quadro depressivo. Levando em consideração os longos períodos de sofrimento comuns da dor crônica, é como se a dor tivesse se tornado parte da pessoa, comprometendo fortemente a saúde mental.

O tratamento físico biológico é apenas parte da solução.

A boa notícia é que o mesmo processo responsável por amplificar a dor crônica pode, também, amenizá-la.

A capacidade do cérebro em se transformar

O processo que o cérebro humano possui de aprender algo novo e se reprogramar chama-se neuroplasticidade e é uma das maiores descobertas da neurociência.

Resumidamente, no caso da dor crônica, nosso cérebro tem o poder de alterar ou criar novas conexões neurais, substituindo as antigas, já condicionadas e hipersensibilizadas aos estímulos da dor.

É o mesmo processo que ocorre com uma pessoa que se recupera de um AVC e tem que reaprender a falar ou andar. Seu cérebro cria novos caminhos literalmente aprendendo novamente, mas agora a partir de outro “caminho”.

Mas como manter a mente sã com dores constantes? A resposta é o tratamento integral.

Como tratar a dor crônica?

Quando a causa da dor crônica não pode ser identificada, a comunidade médica não fala em cura, mas sim em tratamento e controle. Essa é a realidade de muitas pessoas.

Nesses casos, a maioria dos médicos têm uma aproximação multidisciplinar, misturando o uso de remédios, injeções e infiltrações, fisioterapia, terapias alternativas e, em último caso, cirurgias.

Não é o foco discutirmos as opções detalhadamente, mas sim tentarmos responder, o que nós podemos fazer individualmente?

Mudanças de estilo de vida

É sabido que mudanças no estilo de vida podem afetar positivamente os sintomas de quem vive com dor crônica, que podem ser divididos em 4 pilares:

  1. Redução do Stress
    O stress tem um papel importante na dor crônica, então é importante tentar reduzi-lo o máximo que conseguir. Isso é muito pessoal, mas técnicas como meditação, mindfulness e respiração profunda podem ajudar bastante.
  2. Exercícios físicos
    A prática de exercícios físicos leves, é fundamental para manter a saúde física em dia. O controle de peso e a manutenção de tônus muscular adequado para a correta sustentação do corpo, em todas as idades, é necessária.
  3. Dieta adequada.
    Comer saudavelmente aumenta a sua saúde geral e pode diminuir a dor. Evite alimentos inflamatórios como carne vermelha e carboidratos refinados. Limite a ingestão de álcool. Acompanhamento com nutricionista é uma boa pedida.
  4. Sono adequado.Tentar dormir com dor crônica pode ser um desafio. É muito comum quadros de insônia e foi comprovado que dormir mal intensifica a dor. Pessoas que dormem melhor e por mais tempo, experimentam sintomas mais brandos.

A terapia cognitiva comportamental e a dor crônica

A psicoterapia pode reduzir a dor crônica agindo na neuroplasticidade do cérebro.

Uma pesquisa publicada em 2021 por Yoni Ashar em parceria com Alan Gordon e Howard Schubiner, mostrou que 66% dos pacientes que receberam tratamento baseado em terapia, reeducação corporal, educação em dor e em exercícios específicos de reprogramação cerebral usando conceitos da neuroplasticidade relataram estarem livres de dor ou muito diminuída ao fim de um mês.

Entender os aspectos emocionais pode fazer toda a diferença no tratamento e no aprendizado de conviver com a dor crônica.

Outro consenso é nunca se entregar à dor, sempre desafiando, na medida do possível, a realidade negativa do convívio com a dor. Aprender sobre a dor e os mecanismos de como ela é ativada é um processo individual de busca e auto conhecimento, mas necessário no tratamento, e por que não, cura de uma condição que desafia o conhecimento científico.

Atualizado em 6 de novembro de 2023.

As redes sociais já fazem parte do dia a dia dos idosos no Brasil. É o que aponta a Federação Brasileira de Bancos, FEBRABAN, em sua 12ª Edição do Observatório – A inclusão Digital dos Idosos, lançada em setembro de 2022.

Esse acesso não se restringe apenas às redes sociais. As pessoas com mais de 60 anos usam em seu cotidiano a internet para, videochamadas, pesquisar preços e fazer compras, ver filmes e séries em plataformas de streaming e utilizar bancos por meio dos aplicativos de celular.

O acesso dos idosos à Internet em números.

De acordo com a mesma edição, 74% das pessoas com mais de 60 anos têm acesso à internet e 85% desses idosos o fazem diariamente.

Após as redes sociais e as videochamadas, o acesso aos serviços bancários digitais são os mais utilizados pelos idosos, com 72% fazendo uso rotineiro.

Esse grande acesso não se traduz em uma relação sadia. Quase 45% dos idosos brasileiros relatam sentimentos como medo e insegurança ao acessarem qualquer ferramenta digital. Sentimentos que resultam em perdas reais, já que os idosos são alvos de cerca de 70% de todos os golpes praticados pela internet.

Porque os idosos são alvos da maioria dos golpes?

Existem alguns motivos que fazem os idosos serem alvos preferenciais dos golpistas.

O primeiro deles é o fato dos idosos terem maior dificuldade com aparelhos tecnológicos. Essa dificuldade ocorre por motivos físicos e, também, pelo rápido avanço das tecnologias digitais, que muitas vezes não conseguem ser acompanhadas pelos mais velhos.

Outro ponto, é a percepção por parte dos criminosos de que os mais idosos têm mais dinheiro disponível ou guardado. Isso pode ser verdade em alguns casos, já que uma parcela da população idosa possui mais de uma aposentadoria, herdada de cônjuges, ou conseguiram guardar somas consideráveis de bens durante a vida.

Conheça os 3 tipos de golpes mais comuns contra os idosos.

Com a referida inclusão digital dos idosos os tipos de golpe também aumentaram. Veja abaixo os mais comuns.

O temido phishing

Esse ainda é o método mais comum utilizado contra os idosos. São sites falsos, idênticos aos reais, feitos com o objetivo de roubar os dados bancários das vítimas.

Os golpistas fazem versões falsas de lojas virtuais, bancos e até mesmo de serviços de streaming. Utilizando de base de e-mails vazadas, fingem ser as instituições e enviam mensagens com promoções muito atrativas, que acabam fazendo com que os idosos coloquem seus dados bancários que ficam disponíveis para os criminosos.

Outra modalidade é o phishing envolvendo sites falsos do convênio de saúde e principalmente do INSS. De grande interesse pela população idosa, a modalidade de phishing envolvendo esses assuntos é muito utilizada.

Contas falsas no WhatsApp

Muito comum esse tipo de golpe pode parecer simples, mas é muito eficaz contra os idosos. O golpe começa com a lista de contatos sendo hackeada em aplicativos ou retirados de dados públicos em redes sociais.

Com os dados em mãos os criminosos fazem contas falsas, se utilizando das fotos e nomes dos contatos. Depois iniciam conversas, falando que mudaram de número e começam a pedir dinheiro se passando pelos amigos e muitas vezes pelos filhos.

Clonagem de WhatsApp

Mais complexo do que as contas falsas, os golpistas conseguem acesso aos dados de segurança do aplicativo. Esses dados são conseguidos através de links de phishing ou até mesmo ligações, onde o estelionatário envia um código de confirmação via SMS para o celular da vítima.

Com isso, o estelionatário consegue sequestrar a conta, deixando a vítima sem acesso ao aplicativo. Então começa a pedir quantias em dinheiro para os contatos. Vale ressaltar que nessa modalidade o criminoso tem acesso a todas as conversas, podendo roubar dados sensíveis presentes nelas.

Como o idoso pode se proteger dos golpes?

A primeira coisa e talvez a mais importante, é a chamada técnica do 3P: Pare, Pense e Pesquise. A técnica é útil em todos os cenários de golpes digitais. Nunca ceda à urgência de uma promoção, solicitação ou pedidos de dinheiro, mesmo que de conhecidos ou parentes.

Ao se deparar com uma super promoção ou solicitação urgente, faça a pesquisa por contra própria, sem clicar em nenhum link na mensagem. Se é uma loja conhecida, entre usando o navegador e veja se a promoção está realmente lá. Se for uma instituição governamental ou banco, entre em contato com eles.

A mesma coisa vale para pedidos de dinheiro pela internet, seja qual for o motivo e de quem for que seja. Mesmo dos filhos. Entre sempre em contato pelos telefones usuais.

Cuidado com as senhas

Nunca reutilize senhas, mesmo em aplicativos. Crie sempre uma nova e ative a autenticação em dois fatores, sempre que possível.

Peça sempre ajuda

Na dúvida sobre qualquer assunto envolvendo o mundo digital é importante pedir ajuda para familiares e amigos com maior conhecimento.

O simples ato de não agir por impulso e ponderar sobre o que está acontecendo, fazendo uma pesquisa pessoal, fará com que as chances do golpista diminua muito. Por isso, olho vivo!

Atualizado em 6 de novembro de 2023.

Nada melhor do que viajar em família! Um momento especial que é capaz de gerar memórias de afeto e carinho para uma vida inteira. Estes momentos podem ser ainda mais especiais quando participam delas os familiares mais idosos, cada vez mais ativos e independentes. 

Com a queda de muitos estereótipos sobre como é viver na terceira idade, as viagens são momentos ideais para gerar novas experiências para os idosos. A menor responsabilidades com os filhos, já adultos, ou com os netos, que estarão sob cuidados mais direto dos pais, podem fazer com que viagens sejam desfrutadas por um prisma completamente novo.

Mas para que isso aconteça, o evento que é capaz de afastar até a depressão nos idosos, deve ser planejado com alguns cuidados que visam o bem estar destes companheiros de viagem tão especiais.

Os benefícios de viajar na terceira idade

O hábito de viajar proporciona benefícios para todas as idades e para os idosos isso é ainda mais verdade. Seja acompanhado pela família ou em companhia do cônjuge ou amigos, o hábito traz muito mais do que uma mudança de ares.

Promove a saúde emocional e mental

A rotina, na forma de bons hábitos diários, promove a saúde geral dos idosos e sair da rotina de tempos em tempos é tão importante quanto. A experiência positiva de uma viagem libera hormônios ligados à felicidade como a endorfina e a dopamina, regulando essas substâncias no cérebro, evitando e combatendo a depressão, o estresse e as preocupações típicas da idade.

Muitos idosos sofrem com o isolamento social, por isso, as viagens são momentos únicos para os idosos conseguirem uma maior socialização, outro aspecto fundamental para a saúde mental. Outro ponto é a autoestima, sentir-se parte e capaz de enfrentar novas experiências pode fazer maravilhas para o ego.

Ajuda a memória

Com o avanço da idade é comum que todos tenham uma dificuldade maior em lembrar-se de fatos passados, sejam eles recentes ou mais antigos. Todo o processo que uma viagem requer, faz com que os idosos utilizem muito a memória, seja no planejamento, nos desafios que se apresentam durante ou até mesmo na volta, ao contar como foram os detalhes da viagem. Além disso, a criação de novas memórias é considerada um dos melhores exercícios para a mente, mantendo o cérebro ativo.

Promove a saúde física

A condição física, respeitando os limites de cada um, deve ser sempre estimulada em todas as idades. Claro que com os idosos não é diferente. Por isso, planejar atividades físicas, de preferência em contato com a natureza, só trazem benefícios para a mobilidade, força, circulação e capacidade respiratória do idoso.

Os benefícios são evidentes! Agora, antes de fazer as malas, temos que estar atentos a alguns detalhes!

Os cuidados extras que devemos tomar em viagens na terceira idade

Começando pelo destino, transporte, passando por detalhes do que levar e como conseguir ajuda. Tudo deve ser levado em consideração, sempre pensando no bem estar do idoso.

O primeiro ponto é o mais importante.

O idoso é o protagonista

Ao planejar uma viagem em família ou em grupo, a regra de ouro é todos se adaptarem ao ritmo dos mais velhos. Isso não quer dizer que os mais jovens não terão chance de fazer aquele passeio radical. Planejamento é tudo e o idoso deve estar confortável com a viagem e nunca deve ser incluído de última hora. Deve, sempre que possível, participar ativamente das decisões a viagem, isso evita descontentamento e já faz parte dos benefícios citados acima.

Para onde viajar?

Atenção com o destino pode tirar os idosos de situações potencialmente perigosas. Tudo depende do estado de saúde geral do idoso, vamos aos pontos!

Estrutura geral da região

Muito cuidado neste ponto. Os imprevistos de saúde acontecem, por isso o destino deve contar com estrutura médica especializada de fácil acesso. 

Acessibilidade da hospedagem e arredores

Seja um hotel ou uma casa alugada, a hospedagem deve estar adaptada às necessidades do idoso. Dê preferência a andares térreos e informe-se com o proprietário ou gerência como é a acessibilidade para idosos. No caso de hotéis, peça um quarto mais perto da recepção e restaurantes. Nos banheiros, as barras de apoio e os tapetes antiderrapantes são importantes.

Fique atento e conheça a infraestrutura das instalações e arredores. De nada adianta alugar uma casa ou hotel acessíveis internamente, mas construída em um local que impeça ou dificulte a mobilidade.

Tempo da viagem

Todas as viagens com mais de 4 horas requerem maior atenção. Se estiver de carro, faça paradas de 2 em 2 horas para movimentar as pernas. Trombose e embolia pulmonar podem acontecer. No avião, a mesma coisa, caminhe pelo corredor se possível, ou movimente os braços e pernas. Meias de compressão são indicadas.

Clima e altitude

Opte por destinos sem condições climáticas extremas, procure por climas mais amenos, entre 15º e 30º. Evite altitudes acima de 2.000m, idosos são mais suscetíveis ao mal da altitude.

Faça um check-up médico

Antes de marcar a data, marque uma consulta com o geriatra. Informe a localização e a duração da viagem. Peça receitas extras de remédios no caso de perda de algum medicamento. Veja se as vacinas estão em dia e só viaje com o médico de acordo.

Hora de fazer a mala

Nada de correria. Idosos geralmente levam mais bagagem que os mais novos e a lista de itens é geralmente maior.

Medicações e itens de higiene

Cuidados com a lista de medicações é essencial. Faça mais de uma lista e confira tudo antes de sair. Não esqueça dos hidratantes de pele e lenços umedecidos. A recomendação é fazer um cartão de saúde com todas as informações importantes sobre doenças, tratamentos e contatos.

Atenção com as roupas

As roupas devem ser adequadas às condições climáticas. Lembre-se da escolha do destino, se feita corretamente, o clima será ameno e as roupas devem ser leves e que facilitem a mobilidade.

Documentos carteiras de saúde e convênio

Não esqueça de toda a documentação. Incluindo a carteira de vacinação, atualizada 30 dias antes. Leva a carteirinha do convênio e do SUS para viagens nacionais. Em viagens internacionais ou para locais sem cobertura do convênio, a contratação de um seguro de viagem é fundamental. 

Dicas finais para uma boa viagem

Novas experiências são ótimas, mas cuidado com os exageros.

Cuidados com a dieta e a alimentação

Se estiver viajando para locais com hábitos alimentares muito diferentes, o cuidado deve ser redobrado. Adeque a alimentação aos poucos. Fique muito atento às restrições alimentares, não se arrisque se houver alguma. Uma alimentação leve e balanceada deve estar disponível em qualquer destino escolhido.

Outra coisa é a hidratação. Idosos são mais propensos a ficarem desidratados, mantenha uma garrafa de água à mão e ofereça constantemente. 

Olho vivo com os horários

Uma certa rotina ainda é muito importante. As pessoas mais velhas necessitam de mais tempo de repouso. Evite correria e mudança de planos na última hora.

Não hesite em pedir ajuda

Dependendo da situação de saúde do idoso, a contratação de um cuidador para acompanhar a viagem pode ser uma boa pedida. Isso pode deixar a viagem mais segura e prazerosa para todos. Dependendo da localidade, a opção de contar com alguém no destino é uma possibilidade.

Para finalizar, outra dica é muito importante. Mantenha o bom humor sempre. Viajar com idosos exige muitas vezes mais calma e paciência. Com certeza um bom planejamento vai ajudar muito a transformar essa experiência em um momento que ficará na memória de todos por toda a vida.

Atualizado em 6 de novembro de 2023.

Dezembro é o mês da conscientização e luta contra a AIDS, doença sexualmente transmissível que vem preocupando as autoridades quando o assunto é o contágio entre os idosos.

Nos últimos 10 anos a incidência da doença mais que dobrou entre as pessoas com mais de 60 anos. Isso se deve a vários fatores e abaixo listamos os principais.

  • Sexo na terceira idade ainda é tabu. A sexualidade dos idosos é vista com certo preconceito e o tema não é abordado da maneira ideal. Estereótipos e uma visão irreal, fazem com que a percepção de que os idosos não são sexualmente ativos, agravem a proliferação da AIDS nesse grupo.
  • O aumento da expectativa de vida e consequentemente da atividade sexual, faz com que a AIDS avance nessa faixa etária.
  • Outro ponto é a ausência de campanhas de grande escala por parte do governo para educar a população idosa, fruto do tabu citado acima. Vale lembrar que a educação sexual não era algo comum nas gerações passadas.
  • A impossibilidade de engravidar e os hábitos sexuais das pessoas com mais de 60 anos, faz com que a faixa etária use muito pouco o preservativo

O HIV, apesar de controlável, é especialmente danoso entre os idosos. A doença afeta a imunidade, que abre caminho para doenças oportunistas, que podem ser difíceis de controlar. Outro ponto é presença de doenças crônicas entre os idosos, que podem dificultar muito o tratamento da AIDS. Diante do cenário é importante que a sexualidade e a AIDS seja discutida sem medo em nossa sociedade. Os tempos estão mudando e devemos mudar também.

Atualizado em 6 de novembro de 2023.

Nunca é tarde para começar, já diz o ditado. Com os antigos estereótipos e preconceitos sobre o envelhecimento caindo, cada vez mais vemos idosos se reinventando, saindo da zona de conforto e provando para o mundo que a idade é apenas um número. Juntamos algumas histórias inspiradoras de pessoas que tiveram a coragem de dar o primeiro passo e alteraram de forma positiva as suas vidas e as das pessoas que as cercam!

Nair Donadelli e Nelson Miolaro do canal @vovostiktokers

Tudo começou como uma brincadeira entre avós e netos durante a pandemia. Com o primeiro vídeo sendo publicado em junho de 2020, no aniversário de 90 anos do Vô Nelson, eles não poderiam imaginar o sucesso que fariam. Hoje o canal conta com mais de 11 milhões de seguidores no TikTok e mais de 3 milhões no Instagram.

As palavras de Dona Nair dizem tudo:

“Eu não sabia que ia fazer sucesso assim depois de velha. Mas a sensação é muito boa. Todo mundo devia ter um pouco mais de amor, de carinho”.

Maria Pereira da Silva que se formou no ensino médio aos 91 anos.

Moradora do Distrito Federal foi obrigada a abandonar os estudos ainda bem jovem para trabalhar e ajudar a família. Uma história triste, como tantas outras em nosso país, mas que teve um final feliz. Dona Maria se matriculou no ensino médio aos 89 anos e se formou 2 anos depois.

Empenhada, faltou em apenas dois dias durante todo o curso e foi motivo de muito orgulho para os 11 filhos, 28 netos, 48 bisnetos e 3 tataranetos.

Dona Maria disse emocionada:

“Nunca é tarde para realizar seu sonho.”

Greta Pontarelli de 72 anos é 11 vezes campeã mundial de pole dance.

Ela começou a treinar aos 59 anos após ser diagnosticada com osteoporose. A indicação médica, como sempre, foi fazer atividade física que envolvesse levantamento de peso. A norte-americana levou a sério e começou a treinar algumas horas por semana. Se apaixonou pela prática e vencendo tabus e preconceitos, tornou-se 11 vezes campeã da categoria.

Greta, ensina:

“Muitos pensam que mesmo com 40 ou 45 anos, já é tarde demais para começar algo novo, para encontrar um novo sonho. E eu estou feliz por poder mostrar que nunca é tarde demais para realizar seu sonho e ser feliz.”

Mary Lages, adepta da escalada aos 73 anos.

Mary começou a escalar aos 47 anos despretensiosamente. Aos 73 anos, é ícone da vida ativa na terceira idade. Foi inclusive escolhida para se tornar o rosto do lançamento da modalidade de escalada nas Olimpíadas do Japão em 2021.

Exemplo de superação, Mary tinha medo de altura. Começou a escalar por convite do filho mais velho, Yan Ouriques. Nunca mais parou.

“O esporte melhora a autoestima, a autoconfiança e o equilíbrio. Qualquer pessoa pode escalar, é só querer, aprender a usar o corpo. Eu vou aos lugares, escalo pedras, paredes, mas ainda não gosto de olhar para baixo.”

Vovó Izaura Demari. Influencer digital aos 81 anos.

Realmente inspiradora, a Vovó Izaura dá um verdadeiro show acabando com a ideia de juventude eterna no Instagram. Cheia de vida e com uma energia fantástica mostra suas viagens e desfila seus looks para lá de modernos e extravagantes.

Chegou a compartilhar até uma foto quase nua, apenas com uma bolsa como “roupa”. Quebra total de paradigmas e preconceitos. Vovó Izauda disse:

“Que através das minhas postagens, possa Influenciar e inspirar as mulheres a mostrar sua beleza escondida”.

E quem duvida que está inspirando?

Olhar para essas histórias é, também, olharmos para nós mesmos. Em um mundo onde a população fica cada vez mais velha, fica a certeza que nunca é tarde para mudar e a pergunta para os mais novos: Que tipo de pessoa queremos ser quando estivermos mais velhos?

Atualizado em 6 de novembro de 2023.

Ajudar o próximo de maneira altruística, dedicando seu talento sem esperar nada em troca, é uma virtude.

Na terceira idade pode inclusive aumentar a longevidade, espantando condições que podem impactar fortemente a qualidade de vida dos idosos. Estamos falando de doenças como a depressão e demências.

Se o trabalho voluntário é benéfico para as pessoas de todas as idades, nos idosos os benefícios são ainda mais evidentes.

É o que o estudo publicado pela revista científica British Medical Journal aponta. Os resultados indicam que acima dos 40 anos, o trabalho voluntário tem um impacto significativo na saúde mental de quem pratica, benefício que continua aumentando até idades avançadas. Em poucas palavras, quanto mais velho se é, mais positivos são os impactos da atividade voluntária.

A importância do sentimento de propósito para o idoso.

Com o avanço da idade e principalmente com a chegada da aposentadoria, é muito comum que o idoso comece a sentir sentimentos contraditórios sobre esta fase da vida.

O merecido descanso é facilmente confundido com ociosidade e muitas vezes a aposentadoria pode trazer grande sofrimento emocional. Nesse sentido, o trabalho voluntário traz de volta a sensação de propósito e utilidade que contribui imensamente para a saúde física e mental.

Os benefícios do trabalho voluntário na terceira idade.

  • A solidariedade é algo que faz bem para quem recebe e para quem pratica. Na terceira idade os benefícios são muitos. Veja abaixo:
  • O trabalho voluntário é um potente agente socializador e age diretamente em um aspecto muito comum entre os idosos: a solidão;
  • Afasta os sentimentos negativos que podem afetar a saúde mental do idoso e trazer a depressão;
  • Melhora a autoestima, trazendo de volta a motivação e o propósito;
  • Mantém a atividade mental ativa, na solução dos variados desafios inerentes ao trabalho voluntário;
  • Evita ou retarda o aparecimento do Alzheimer e outras demências.

Como ser um voluntário?

É muito importante ter afinidade com o trabalho voluntário. Entre os idosos, devido à falta de pressão, é um ótimo momento para realizar uma função que sempre teve interesse.

Abaixo temos alguns exemplos de como encontrar trabalhos voluntários.

  • Organizações religiosas são um bom lugar para se engajar em atividades comunitárias;
  • Visite a prefeitura ou a subprefeitura do seu bairro ou região. As instituições governamentais possuem uma variada gama de projetos sociais em diversas frentes;
  • Procure por ONGs em sua cidade. Com toda a certeza eles precisam de ajuda com suas iniciativas;
  • A internet é uma valiosa aliada. As redes sociais são um bom lugar para se informar. Sites como o www.voluntarios.com.br dão uma boa visão sobre as necessidades em sua região.

O trabalho voluntário e o papel do idoso na visão da OMS e da ONU.

Com a evolução da sociedade e com o aumento da população idosa ao redor do mundo, muitas mudanças estão ocorrendo.

Entre elas nasce uma série de iniciativas públicas que visam a saúde e a inclusão criativa dos idosos, com o seu grande conhecimento e experiência, de maneira produtiva em diversos setores. É o Plano de Ação Internacional para o Envelhecimento, que vê o trabalho voluntário como algo fundamental nesta nova sociedade

O plano, proposto pela ONU, reconhece a contribuição dos idosos de maneira que vai muito além da econômica. Coloca o idoso em uma posição de destaque ao atestar que a contribuição do idoso no cuidado à família e na realização de atividades voluntárias, aumentam significativamente o bem-estar coletivo.

Já a OMS, atesta que o voluntariado é um elemento importante na manutenção da saúde e da qualidade de vida na velhice. É o Envelhecimento Ativo, que deixa para trás estereótipos sobre o que é envelhecer, otimizando as oportunidades na contínua participação dos idosos nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis da sociedade.

É o mundo em movimento, que vê os idosos cada vez mais engajados e ativos. Não é à toa que nos últimos 10 anos os idosos em trabalho voluntário aumentaram de 25% para quase 40%. Ajude a espalhar essa ideia. Só temos a ganhar.

Atualizado em 6 de novembro de 2023.

O Dia Internacional do Riso é uma oportunidade perfeita para destacar como o riso é um presente valioso e saudável para todos. Para os idosos, os benefícios são ainda mais evidentes!

Não é à toa que sempre ouvimos que rir é o melhor remédio. E é isso que o PHD Lee S. Berk da Universidade de Loma Linda vem provando desde 1988, ano em que começou a publicar seus estudos. Os estudos provam que rir faz as pessoas se sentirem bem no presente, constrói uma boa saúde para o futuro e “cura feridas” do passado.

Por isso, não economize nas risadas no dia a dia. Aqui estão alguns benefícios que rir traz para todos nós

Os benefícios de uma boa risada para o idosos

  • Fortalecimento cardíaco: O riso é um exercício cardiovascular disfarçado. Ele aumenta o fluxo sanguíneo, promovendo a saúde do coração e reduzindo o risco de doenças cardiovasculares.
  • Terapia antiestresse: Rir libera endorfinas, os “hormônios da felicidade”, que combatem o estresse e promovem uma sensação geral de bem-estar. É como uma terapia natural que acalma a mente, melhorando o humor e diminuindo a ansiedade.
  • Socialização: O riso é uma linguagem universal que conecta pessoas. Compartilhar risadas fortalece os laços sociais, afastando a solidão e criando momentos preciosos com amigos e familiares.
  • Estímulo Cerebral: O ato de rir estimula o cérebro, melhorando a cognição e a memória. É um exercício mental alegre que mantém a mente afiada.
  • Exercício facial: Rir envolve uma série de músculos faciais, proporcionando um treino para manter um sorriso radiante e jovial. É um segredo de beleza atemporal!
  • Aumento da imunidade: O riso fortalece o sistema imunológico, ajudando o corpo a combater doenças. É como uma vacina de boa disposição.
  • Alívio da dor: Acredite ou não, o riso pode ser um analgésico natural. Ele libera endorfinas que podem atenuar a dor e proporcionar alívio temporário.

Rir para ter mais saúde tem até nome! É a risoterapia. Por isso na Mão do Amor nossos cuidadores sempre incentivam o riso e os bons momentos.

Então, da próxima vez que encontrar seus idosos queridos, não esqueça de trazer um pouco de humor para a conversa. O riso é verdadeiramente contagiante e é um ingrediente essencial para uma vida mais feliz e saudável em todas as idades!

Atualizado em 19 de dezembro de 2022.

Cuidar de uma pessoa é engrandecedor e gratificante. Ao mesmo tempo, exige tempo e muita paciência, além de acarretar várias mudanças na rotina.

Seja um familiar, seja um profissional, os cuidadores acabam sendo os responsáveis por toda a rotina de uma pessoa incapacitada, como higiene pessoal completa, agendar e levar ao médico, controle de medicações, preparar a comida e alimentar, ajudar na locomoção, administrar gastos e finanças, lidar com as questões emocionais do paciente, e ainda dar atenção a cada detalhe.

O cuidador familiar

No caso de um cuidador que seja da família, tudo isso acontece dentro de uma nova realidade que eles também estão precisando assimilar: a troca de papéis. E é uma troca diferente com relação a se cuidar de uma criança, pois, ao final dos cuidados, não há perspectiva de cura ou evolução e ainda há a possibilidade de perder a pessoa.

Essa situação envolve muita dedicação por longos anos, causando um desgaste físico e mental ao cuidador. É comum que desenvolvam uma condição conhecida como Estresse do Cuidador ou Síndrome do Cuidador, ou seja, uma intensa tensão emocional decorrente do cuidado.

Como surge o estresse do cuidador?

Muitos cuidadores deixam de realizar suas atividades do dia a dia como trabalhar, não se alimentam corretamente, dormir pouco e passar por muito estresse para cuidar de um ente querido que está impossibilitado.

O estresse é ainda mais intenso nos casos que envolve uma “mudança de endereço”, quando familiares precisam voltar a morar juntos e ter uma rotina de convivência após anos morando separados.

Segundo a Faculdade de Medicina da USP, estima-se que 30% dos idosos tenham algum grau de dependência. Concluiu-se que homens e mulheres responsáveis pelo cuidado prolongado de parentes apresentam taxas mais altas de doenças, pela resposta imunológica suprimida.

A situação se intensifica quando o paciente possui algum tipo de demência, pois podem ficar agressivos, teimosos, repetitivos ou infantilizados. Os cuidadores ficam mais suscetíveis a problemas de saúde como dores no corpo, depressão e ansiedade. Também se sentem sozinhos, desprotegidos, com insônia, apresentam perda ou excesso de apetite e, em alguns casos, forte depressão. Apresentam esgotamento físico e mental, descuidam da aparência e nunca têm tempo para si. Muitas vezes não reconhecem os sintomas de alerta do estresse do cuidados. A maioria acha que essa situação é algo normal, provisório, não procura ajuda e acaba sofrendo calado.

É muito importante ficar atento aos sinais como irritação, frustração, tristeza, esgotamento e falta de perspectiva. Sem ajuda profissional e de pessoas próximas, é difícil passar por esta fase. Geralmente, o diagnóstico é realizado de forma indireta pelo geriatra ou médico que atende o idoso ou doente.

Confira alguns sinais que merecem atenção

São muitas as consequências relacionadas ao estresse do cuidador:

  • Ansiedade e/ou depressão;
  • Perder o contato com amigos;
  • Estar sempre exausto;
  • Irritação frequente;
  • Discutir facilmente com familiares próximos;
  • Falta de energia e vigor físico;
  • Negligenciar a própria saúde;
  • Dores no corpo;
  • Sentir culpa quando está longe;
  • Ficar sempre preocupado e com pensamentos negativos;
  • Falta de concentração;
  • Dores frequentes de cabeça ou estômago;
  • Imunidade baixa;
  • Falta de tempo para o lazer.

É uma rotina muito estressante pois o cuidador fica na constante expectativa de que algo vai acontecer com o paciente, o que potencializa todos os sintomas.

O que pode ser feito para diminuir os impactos do estresse do cuidador?

Algumas atitudes no dia a dia diminuem os impactos emocionais e físicos do cuidador.

Rotina real, sem idealizações

O primeiro passo é estabelecer uma rotina de cuidados reais, que se resume a fazer o que é necessário, sem buscar a constante perfeição. É fundamental dividir as tarefas e admitir que precisa de ajuda para dar apoio à pessoa assistida.

Saúde em dia

É muito importante cuidar da própria saúde, mantendo os exames de rotina em dia e, em caso de doenças, administrar os medicamentos e tratamentos corretamente.

Apoio psicológico

Acompanhamento psicológico é fundamental nesta fase. Hoje em dia a maioria dos profissionais já atendem de forma remota, o que facilita a vida daqueles que não podem se ausentar de casa por longos períodos.

Grupos de apoio também são ótimos aliados para desabafar e desenvolver o hábito de pedir ajuda e aceitar ser cuidado também. Sem contar que pessoas que estão passando pela mesma situação são ótimas para compartilhar sentimentos e ideias.

Um tempo para você

Outra questão muito importante e muitas vezes negligenciada é dedicar tempo para o lazer e evitar o isolamento. É fundamental manter relacionamentos com outras pessoas, não apenas com quem é assistido.

Geralmente, os cuidadores passam longas horas cuidando do outro e esquecem que precisam de pausas ou de realizar atividades que tragam prazer como leitura ou assistir um filme, fazer exercícios físicos, falar de novos assuntos, etc.

Esse desgaste emocional prejudica a relação interpessoal entre cuidador familiar e idoso assistido, muitas vezes gerando sentimentos contraditórios. A impaciência e a intolerância tendem a crescer se não forem cuidadas com atenção.

Reconheça o seu limite

Em alguns momentos, o cuidador percebe que está no seu limite. Muitos sentem uma depressão intensa e/ou mudam de comportamento, ficando mais irritados ou propensos a agressões ou desrespeito ao idoso ou pessoa doente. E sempre seguido de muita culpa.

É normal que o cuidador perca a capacidade de lidar com essa situação. E, além de tratamento, é necessário averiguar a possibilidade de contratar serviço especializado. É uma alternativa para melhorar a qualidade do cuidado e garantir um atendimento profissional, que possa proporcionar conforto e segurança, com foco na atenção aos detalhes.

Um cuidador profissional está apto a realizar atividades que “pesam” no dia a dia familiar, como dar banho, vestir, trocar fraldas, manusear corretamente uma cadeira de rodas ou maca, lidar com teimosias e ainda ter tempo para entreter e atender as necessidades do assistido.

É muito importante cuidar de quem cuida.

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Atualizado em 23 de junho de 2022.

Segundo a OMS, Organização Mundial da Saúde, a violência contra o idoso define-se como “ação única ou repetida, ou falta de ação apropriada, ocorrendo em qualquer relacionamento onde exista uma expectativa de confiança, que cause dano ou sofrimento a uma pessoa idosa”.

Muitos associam a palavra “violência” apenas com a agressão física, porém ela pode se manifestar de diversas formas, conforme explicaremos no decorrer desta matéria.

Principais tipos de violência contra idosos

Violência Física

Os abusos físicos constituem a forma de violência mais perceptível aos olhos, mas nem sempre as agressões são perceptíveis como situações de espancamento que promovam lesões ou traumas. Em algumas situações os abusos são realizados na forma de beliscões, empurrões, tapas, ou agressões que não evoluem com sinais físicos.

Abuso Psicológico

Praticado com atos como agressões verbais, tratamento com menosprezo, desprezo, ou qualquer ação que traga sofrimento emocional como humilhação, afastamento do convívio familiar ou restrição à liberdade de expressão. Violência psicológica é submeter a pessoa idosa a condições de humilhação, ofensas, negligência, promovendo insultos, ameaças e gestos que afetam a autoimagem, a identidade e a autoestima do ofendido.

Negligência

Trata-se da recusa ou à omissão de cuidados, é um ato muito comum, pois se manifesta frequentemente tanto no seio familiar como em instituições que prestam serviços de cuidados e acolhimento a pessoas idosas.

Abandono

É uma forma de violência que se manifesta pela ausência de amparo ou assistência pelos responsáveis em cumprir seus deveres de prestar cuidado a uma pessoa idosa.

Violência Institucional

Trata-se de qualquer tipo de violência exercida dentro do ambiente institucional (público ou privado) praticada contra a pessoa idosa, pode ser por meio de um dos seus funcionários que comete algum ato de abuso, agressão física ou verbal no ambiente da instituição.

Abuso Financeiro

O abuso financeiro é caracterizado pela exploração imprópria ou ilegal ou uso não consentido pela pessoa idosa de seus recursos financeiros. Esse tipo de situação acontece frequentemente. O violador se apropria indevidamente do dinheiro ou cartões bancários da pessoa idosa, utilizando o valor para outras finalidades que não sejam a promoção do cuidado.

Violência Patrimonial

Configura-se violência patrimonial qualquer prática ilícita que comprometa o patrimônio do idoso, como forçá-lo a assinar um documento sem lhe ser explicado para que fins é destinado, alterações em seu testamento, fazer uma procuração ou ultrapassar os poderes de mandato, antecipação de herança ou venda de bens móveis e imóveis sem o consentimento espontâneo do idoso, falsificação de assinatura etc.

Violência Sexual

Este tipo de violência refere-se ao ato sexual utilizando pessoas idosas. Esses abusos visam a obter excitação, relação sexual ou práticas eróticas, através de coação com violência física ou ameaças.

Discriminação

Este tipo de violência refere-se à comportamentos discriminatórios, ofensivos, desrespeitosos em relação à condição física característica de uma pessoa idosa, desvalorizando e inferiorizando-a simplesmente por sua condição.

Na maioria das vezes, a violência contra idosos só é identificada por pessoas terceiras, que percebem alguns destes sinais:

  • Sinais de maus trato;
  • Negligência no corpo do idoso, incluindo falta de cuidados com a saúde e higiene;
  • O idoso demonstra estar desconfortável na presença de algum familiar ou cuidador;
  • O idoso, repentinamente, começa a se isolar e torna-se calado;
  • Não se anima ou recusa a fazer atividades que antes eram de seu interesse;
  • O idoso responde de maneira inadequada ou desmedida a uma situação cotidiana;
  • O idoso passou a apresentar sinais de demência repentinamente;
  • Aparecimento de dívidas em nome do idoso, ou seu saldo bancário cada vez mais reduzido;
  • Infecções ou feridas surgem de maneira inexplicável em áreas genitais;
  • O idoso está mal cuidado, desidratado, desnutrido, sem cumprir as prescrições médicas;
  • Idoso vivendo em locais insalubres.

Denúncias de violência contra idosos

A violência contra os idosos é crime, com diversas leis que os protegem.

Ao saber de casos de violações de direitos das pessoas idosas, denuncie em um destes canais nacionais mantidos pelo Governo Federal:

Disque 100: serviço federal de disseminação de informações sobre direitos de grupos vulneráveis e de denúncias de violações de direitos humanos.

Disque 190: telefone da central da polícia local.

Disque 197: denúncias de violência anônimas (Polícia Civil).

Proteja Brasil: site e aplicativo http://www.protejabrasil.com.br/br.